Por que procrastinadores procrastinam

Por que procrastinadores procrastinam

Procrastinação

Substantivo feminino

ato ou efeito de procrastinar; adiamento, demora, delonga.

Enquanto estamos aqui, vamos garantir que pessoas obesas evitem comer demais, pessoas depressivas evitem a apatia e por favor alguém diga para as baleias encalhadas ficarem no oceano.

Não, “evitar a procrastinação” é só é um bom conselho para falsos procrastinadores – aquelas pessoas que não tipo, “eu com certeza olho o Facebook algumas vezes durante o trabalho, procrastino tanto!” As mesmas pessoas que dirão para os procrastinadores de verdade algo como “só não procrastine e você ficará bem”.

O truque que nem o dicionário nem os falsos procrastinadores entendem é que para um procrastinadores de verdade, procrastinação não é opcional – é algo que você não sabe como não fazer.

Na faculdade, a liberdade pessoal repentina foi um desastre pra mim – eu nunca fazia nada por razão alguma. A única exceção era quando, de vez em quando, eu precisava entregas algumas coisas. Eu os fazia na noite anterior, até que eu percebi que eu poderia fazer ao longo da madrugada, e então eu percebi que eu poderia começar a fazer na manhã do dia da entrega. Este comportamento chegou no ponto de que eu não conseguir começar a escrever minha tese final de 90 páginas até 72 horas antes do prazo final, uma experiência que terminou comigo no escritório do médico do campus aprendendo que a falta de açúcar no sangue era a razão pela qual minhas mãos tremiam contra a minha vontade. (Eu terminei a tese – mas não, ela não ficou boa).

Até esse post demorou mais tempo do que deveria, porque eu gastei um bocado de tempo olhando essa foto de um post anterior e pensando se ele conseguiria me vencer facilmente em uma briga, e então imaginando se ele conseguiria vencer um tigre, e então eu ainda li sobre isso por um tempo (o tigre venceria). Eu tenho problemas.

Para entender porque procrastinadores procrastinam tanto, vocês começar entendendo um cérebro de um não-procrastinador:

Bastante normal, certo? Agora vamos olhar para o cérebro dos procrastinadores:

Notou algo de diferente?

Parece que o Tomador de Decisões Racional no cérebro do procrastinador coexiste com um animal – o Macaco da Gratificação Instantânea.

Isso seria ok – fofo, até – se o tomador de decisões soubesse a primeira coisa sobre como ter um macaco. Mas, infelizmente, isso não foi parte do seu treinamento e ele está completamente sem ajuda enquanto o macaco faz com que seja impossível fazer seu trabalho.

O fato é que o Macaco da Gratificação Instantânea é a última criatura que deve estar no comando das decisões – ele pensa apenas no presente, ignorando lições do passado e comprometendo o futuro, e ele se preocupa apenas com a maximização da facilidade e prazer no momento atual. Ele não entende o Tomador de Decisões Racionais mais que ele entende ele mesmo – por que eu devo continuar fazendo meu trabalho quando eu posso parar, o que faria eu me sentir melhor. Por que devemos continuar praticando aquele instrumento se não é divertido? Por que nós usamos um computador para trabalhar enquanto a internet está aqui, esperando para ser usada? Ele pensa que humanos são doidos.

No mundo do macaco, ele já entendeu tudo – se você come quando está com fome, dorme quando está cansado, e não faz nada de difícil, você é um macaco muito bem sucedido. O problema do procrastinador é que ele vive no mundo dos humanos, onde o macaco é um péssimo navegador. Enquanto isso, o Tomador de Decisões Racional, que foi treinado para tomar decisões racionais, não consegue lidar com a competição pelo controle, não sabe como ter uma briga justa – ele só se sente pior e pior com si mesmo quando ele falha e fica se repreendendo por esse comportamento.

É uma bagunça. E com o macaco no comando, o procrastinador se encontra gastando muito tempo num lugar chamado Playground Obscuro.

O Playground Obscuro é um lugar que todo procrastinador conhece bem. É um lugar onde atividades de lazer acontecem o tempo todo, enquanto elas não deveriam estar acontecendo. A diversão que você tem no Playground Obscuro não é exatamente uma diversão porque você não merece aquilo, e está cheio de culpa, ansiedade, ódio por si mesmo e medo. Às vezes o Tomador de Decisões Racionais bate o pé no chão e se nega a te deixar gastar tempo com atividades de lazer, mas o Macaco da Gratificação Instantânea garante que não vai te deixar trabalhar, e você se vê num purgatório bizarro de atividades estranhas onde todos saem perdendo.

E o pobre Tomador de Decisões Racionais só fica atordoado, tentando descobrir como ele deixou o humano que ele deveria estar no comando acabar naquele lugar de novo.

Dado este dilema, como o procrastinador deve conseguir concluir tudo?

Como tudo isso aconteceu, há apenas uma coisa que assusta o Macaco da Gratificação Instantânea:

O Monstro do Pânico está dormente na maior parte do tempo, mas acorda de repente quando o prazo chega muito perto ou quando há o perigo de um constrangimento público, um desastre na careira, ou alguma outra consequência assustadora.

O Macaco da Gratificação Instantânea, normalmente inabalável, está aterrorizado com o Monstro do Pânico. De que outra maneira poderíamos explicar que a mesma pessoa que não conseguia escrever a introdução de um trabalho em duas semanas de repente consegue ficar acordado a noite inteira, lutando contra a exaustão, e escrever oito páginas? Por que outra razão uma pessoa incrivelmente preguiçosa começaria uma rotina rigorosa de exercícios que não por medo do Monstro do Pânico?

E estes são os procrastinadores sortudos – há alguns que nunca responderão ao Mostro do Pânico, e nos momentos mais desesperadores eles irão fugir com o macaco e entrar num estado de aniquilação de si mesmos.

Que bagunça que nós somos.

Claro, essa não é uma maneira de viver. Até para o procrastinador que eventualmente consegue fazer as coisas ficarem prontas e se mantem como um membro competente da sociedade, algo precisa mudar. Aqui estão as principais razões para tal:

  • É desagradável. Muito do tempo do procrastinador é gasto brincando no Playground Obscuro, tempo que poderia ser gasto curtindo a satisfação, sentimento de dever cumprido e lazer se as coisas tivessem sido feitas da maneira correta. E pânico não é divertido para ninguém.
  • O procrastinador, em última instância, se vende rapidamente. Ele acaba desempenhando menos e falhando em alcançar seu máximo potencial, o que acaba com seu tempo livre e enchendo ele com arrependimento.
  • Os “Tenho que fazer” irão acontecer, mas não os “Quero fazer”. Mesmo se o procrastinador está no tipo de carreira na qual o Monstro do Pânico está presente regularmente e ele está hábil para se sobrecarregar de trabalho, outras coisas na vida que são importantes para ele – ficar em forma, cozinhar refeições elaboradas, aprender a tocar guitarra, escrever um livro, ler, ou até fazer uma mudança de carreira – nunca irão acontecer porque o Monstro do Pânico nunca se envolve com essas coisas. Compromissos como esses expandem nossas experiências, fazem nossas vidas mais ricas, e nos trazem muita felicidade – e para a maioria dos procrastinadores, eles são deixados para trás.

 

Gostou? Que tal conversar com outros colaboradores e conhecer como isso impacta suas empresas? É só se inscrever na Real Networking!
https://www.realnetworking.co

 

Post traduzido de: https://waitbutwhy.com/2013/10/why-procrastinators-procrastinate.html

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *