Trabalho flexível: A chave para terminar com a desigualdade de gêneros?

Trabalho flexível: A chave para terminar com a desigualdade de gêneros?

Alguns especialistas acreditam que a flexibilidade laboral poderia favorecer a algumas mulheres na hora de conseguir e manter um emprego.

O mercado de trabalho está se reinventando constantemente a medida que avança em direção a digitalização. Mudanças profundas levaram a trabalhadores e empresas a se adaptarem a esse novo sistema, que busca trabalhadores mais produtivos, mas ao mesmo tempo mais felizes com seus trabalhos. O novo desafio para as empresas é o de reter o talento, para o qual devem se mostrar como mais flexíveis com seus funcionários.

O que significa ser mais flexível? Desafiar a cultura da presencialidade e permitir que os colaboradores participem em tempos variados do início ao fim de sua jornada laboral, dias dedicados ao trabalho desde sua casa, e inclusive opções de reduzir a semana de trabalho.

A princípio, associamos a ideia de flexibilidade laboral e trabalho remoto como projetos que fracassam e uma baixa na produtividade, mas o certo é que especialistas de todas as partes do mundo confirmaram que cada vez mais organizações e empresas incorporam estas modalidades de trabalho porque compreendem que com esta renovação tanto os trabalhadores como as empresas se beneficiam.

Para os trabalhadores, a flexibilidade laboral permite diminuir o stress, aumentar os níveis de satisfação com o trabalho, incrementar sua produtividade, conciliar melhor a vida laboral com a pessoal e obter mais tempo livre, que pode ser utilizado tanto para descansar como para aperfeiçoar sua formação, duas opções que indiretamente também beneficiam as empresas. No caso dos empregadores, estes experimentam as consequências destas melhoras no ânimo de seus trabalhadores, aumentando sua produtividade e, portanto, sua margem; ao mesmo tempo, poderão reduzir os gastos implícitos na manutenção de um grupo de trabalhadores, e assegurar um entorno laboral mais ameno.

Por parte dos trabalhadores, é necessário destacar que, se tanto homens quanto mulheres podem se beneficiar das medidas de flexibilidade laboral, são as mulheres que obterão um maior valor com essas mudanças. Portanto, o trabalho flexível poderia ser a chave para reduzir ou eliminar completamente a desigualdade de gêneros.

Por que a flexibilidade laboral poderia incidir na desigualdade de gênero?

Sabemos que, em muitas áreas, mulheres e homens realizam exatamente o mesmo trabalho, nas mesmas condições laborais, e com uma jornada da mesma duração. Entretanto, é frequente que o mesmo trabalho não seja recompensado com o mesmo salário, e que apesar de realizar as mesmas tarefas as mulheres recebam uma menor remuneração.

Por que se dão estas diferenças? De forma implícita ou explicita os empregadores tem que considerar a ideia de que em determinado momento de suas vidas seus empregados decidirão se tornar mães e por tanto reduzirão suas jornadas de trabalho ou demandarão uma maior flexibilidade, o qual limitaria a estas profissionais de ocupar cargos de responsabilidade dos quais se requer disponibilidade 24h por dia e 7 dias na semana. Preconceitos, a mesma história que as mulheres enfrentam a anos.

O que se pode fazer para diminuir estas desigualdades? Já faz algum tempo, economistas das Universidades mais importantes do mundo assinalaram que a flexibilidade laboral poderia diminuir de forma considerável estas diferenças. Se as empresas no lugar de esperar que seus trabalhadores demandem estas medidas flexíveis começassem a oferece-las de antemão a todos seus empregados, assegurarão uma maior igualdade e ao mesmo tempo contarão com trabalhadores mais produtivos.

A economista de Harvard Claudia Goldin, demonstrou que as áreas onde a desigualdade laboral é maior tem um aspecto em comum: não oferecem horas de trabalho flexíveis. Em campos como os dos Negócios, Financeiro, Direito e Saúde a desigualdade laboral realmente alta devido a que a flexibilidade de trabalho é praticamente nula; em contrapartida, Farmácia e trabalhos científicos apresentam uma menor. Desta análise surge a postura de que aumentando a flexibilidade, poderia se reduzir e inclusive terminar com a desigualdade de gênero.

Por que as empresas não incorporam o trabalho flexível?

Uma das primeiras complicações que enfrentam as empresas na hora de implementar as metodologias flexíveis são as respostas dos próprios trabalhadores. Muitas vezes se acredita que quem trabalha desde sua casa não realizada a totalidade de seu trabalho, que o faz desde a comodidade de sua cama ou simplesmente que desfruta do seu tempo enquanto seus colegas fazem o trabalho duro. Estes mitos fazem que um número considerável de trabalhadores negue ao teletrabalho antes mesmo de testá-lo.

No seu lado, as empresas temem que os grupos de trabalho se desintegrem e que aqueles que trabalham desde suas casas terminem por se converterem em colegas esquecidos. Ou seja, que aqueles que estão fora da vista de seus companheiros terminam também fora de suas mentes.

Para os especialistas, o grande problema se encontra nos níveis executivos das empresas, onde os gerentes carecem de habilidades para gerenciar de forma efetiva os trabalhadores flexíveis. Acostumados a cultura da presencialidade as empresas se esquecem que o importante é medir o desempenho do trabalhador baseado nos resultados de seu trabalho, e não no tempo que permanecem no escritório.

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Texto traduzido de: http://noticias.universia.es/practicas-empleo/noticia/2017/08/22/1155155/trabajo-flexible-clave-terminar-brecha-genero.html

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