Como fomentar a criatividade na empresa com um brainstorming

Como fomentar a criatividade na empresa com um brainstorming

Geniais, medíocres, sem sentido, aparentemente inúteis… são as ideias que surgem de uma sessão de “brainstorming”. Esta técnica, em prática a mais de 70 anos, tem suas regras e busca estimular a criatividade dos grupos.

Muitas vezes os conceitos permanecem latentes em nosso cérebro durante meses ou anos, sem que consigamos atar os cabos suficientemente para conectá-los e produzirmos uma boa ideia. Uma das ferramentas utilizadas no gerenciamento criativo é reunir um grupo de pessoas para pôr em prática o brainstorming ou sessão de tempestade de ideias onde se desata a essência de nossos pensamentos e as experiências acumuladas.

De qualquer maneira, se trata de uma técnica de grupo, popularizada pelo executivo publicitário Alex Osborn no final dos anos trinta, que permaneceu e foi se aperfeiçoando com o tempo. Esta técnica passou de ser um mero instrumento publicitário para ser utilizado em atividades como na política, no jornalismo ou em debates legislativos.

E é que, sem dúvidas, as ideias geradas em um brainstorming podem se converter em armas muito eficazes para a solução de problemas. Não obstante, mesmo que sigam ao pé da letra as regras do brainstorming – diferentes critérios, construção prévia de ideias, rotações livres, gerar todas as ideias possíveis… – nem sempre se alcança os resultados desejados.

Com tudo, as pesquisas e as experiências acumuladas durante anos em torno do brainstorming, o converteram em um método bastante confiável. Isso sim, sempre que se consiga reunir um grupo de pessoas adequadas para desencadear uma boa “tempestade”.

O juízo deferido

O brainstorming é baseado na teoria de que muitas vezes reuniões fracassam porque, desde que surgem, as ideias se veem submetidas a críticas destrutivas por parte dos assistentes, de maneira que não dá tempo que amadureçam e se aperfeiçoem. Para impedir isso, o próprio Alex Osborn idealizou um método realmente eficaz, a qual chamou de juízo deferido. Consistia em separar radicalmente o processo em duas fases. Na primeira, o grupo não emitia nenhum julgamento sobre as ideias que eram geradas. Na segunda fase, quando já se havia gerado o número de ideias suficientes, se realizava um exame crítico e seletivo.

Os mais ortodoxos brainstormers exigem que seja outro grupo diferente o que efetue a seleção das ideias. Além disso, normalmente eles enfatizam dois fatores que determinam a qualidade de uma “tempestade de ideias”:

Uma boa direção: É imprescindível que algum veterano prepare, ordene, modere, controle e dirija a sessão. Sem um moderador que motive e controle aos assistentes, a tempestade de ideias é uma perda de tempo, pois pode se criar situações como vaias a um dos participantes.

A composição do grupo: É melhor que se incorporem pessoas de outros departamentos ou áreas da empresa. Podem ver os problemas desde uma ótica distinta a dos membros habituais. Não convém que participem quem entende muito sobre um tema ou estão envolvidos demais.  Podem ser contraproducentes, pois podem criar ideias em excesso similares aos padrões originais.

Chega a tempestade

Para colocar em prática uma boa “tempestade de ideias”, é necessário seguir estes passos:

Individualização:

O moderador se assegurará de que todos os assistentes conhecem o problema, o procedimento e as regras do brainstorming. Cada assistente deve ter uma folha de papel em branco e uma caneta, para escrever o maior número de soluções possíveis.

Exposição:

Uns minutos depois, cada membro do grupo expões as ideias que pensou, sem debate-las.

Grupo:

A continuação, o grupo deve se armar de post-its, canetinhas e folhas de rascunho, e dedica cinco minutos para fazerem outro brainstorming, desta vez coletivo, para adicionar mais soluções ao mesmo problema. Vão escrevendo por turnos no quadro para que possam ser vistas por todos os membros do grupo.

Comparação:

O seguinte passo é combinar todas as soluções, de maneira que se possam gerar novas ideias.

Os 4 P’s

Estas são os quatro “p’s” da sessão ideal de uma tempestade de ideias.

People (gente):

Em igualdade de condições, um grupo de gente criativa por natureza superará outro grupo de pessoas que são menos. Podem ver os problemas desde diferentes perspectivas e tem a habilidade de produzir rapidamente muitos e diferentes tipos de novas ideias.

Os grupos mais efetivos constam com quatro, cinco ou seis pessoas, ainda que cinco é o número ideal. Se é possível, os múltiplos grupos de cinco pessoas deveriam produzir suas ideias na mesma sala. Esta situação pode facilitar a espontaneidade.

Process (processo):

Para criar a maior quantidade de ideias possíveis, deve se separar as gerações de ideias da avaliação. Por isso, um bom moderador estabelecerá certas regras mínimas antes de começar a sessão.

As técnicas são também fundamentais. Os grupos podem começar com uma limpeza de cérebro: os participantes compartilham suas ideias e, a partir daí se produzem outras novas.

Pressure (pressão):

Se trata das influências positivas e negativas existentes em torno do grupo. As pressões externas, sobre tudo a limitação do tempo para conseguir ideias engenhosas, normalmente são contraproducentes.

Segundo os especialistas, o grupo deve ter um espírito divertido, com humor e espontaneidade. Criar o ambiente adequado não é fácil. O melhor modo de conseguir isso é reunir os membros do grupo mais desinibidos.

Product (produto):

O último ingrediente para criar uma sessão na qual se gere ideias efetivas é ter muito claro o modo como as produzir. O ideal é situar todas as ideias em um mesmo plano: as que surgem a princípio e durante a sessão, as melhores e as piores. Qualquer uma delas pode servir para solucionar os problemas em uma próxima reunião.

Definitivamente, o importante é produzir muitas ideias, ainda que pareçam sem pé nem cabeça. Não importa. Como dizia Victor Hugo: “O que conduz e arrasta o mundo não são as máquinas, são as ideias”.

10 regras para conduzir uma sessão eficaz

Para conseguir realizar bem uma sessão de brainstorming, é imprescindível seguir algumas regras básicas. O moderador se encargará de comentá-las antes de dar começo a tempestade.

  1. Vale tudo: Não há respostas certas ou erradas. Todos os pensamentos expressados são válidos.
  2. Escrever as ideias: Alguém do grupo deve realizar anotações das ideias. Assim, os participantes podem ver a lista de respostas durante a sessão, o que pode ajudar a inspirar novas ideias. Se pode utilizar um quadro.
  3. Ideias íntegras: Escrevê-las, respeitando tal e como foram expressadas.
  4. Sem pé nem cabeça: A maior incongruência pode ser a melhor ideia.
  5. Avaliação final: A meta é conseguir que o grupo pense na maior quantidade de ideias possíveis sobre um problema ou uma situação. Não é bom pensar em avaliar as ideias até que se finalize a sessão.
  6. Classificação: Ao final, o grupo classificará as ideias por categoria (práticas ou realistas, por exemplo), dando a elas prioridade em função da necessidade.
  7. Duração: A sessão durará entre 45 a 60 minutos.
  8. Reunião amena: Tentar que a sessão resulte divertida. A motivação de todos os membros do grupo é essencial.
  9. Silêncios válidos: Os períodos de silêncio podem gerar novas ideias.
  10. Turnos: Aportar uma ideia por turno, sem dar explicações. Se alguém bloqueia, esperará a próxima volta.

Texto traduzido de: http://www.emprendedores.es/gestion/creatividad-empresa-brainstorming-tormen

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