Como o Big Data salvará o comércio tradicional

Como o Big Data salvará o comércio tradicional

Para influenciar nas decisões de compra nas lojas tradicionais, se prepare para obter e decifrar grandes quantidades de dados.

Nos últimos cinco anos, o auge do e-commerce colocou um desafio para as lojas físicas, não tanto pela ameaça das suas vendas ou participação no mercado, mas sim pelo novos hábitos que gerou no consumidor. Imprevisível, desleal, cético, desapegado… as lojas físicas desconhecem como se comporta o novo consumidor empoderado, inseparável de seu celular onde navega constantemente buscando a melhor opção ao melhor preço.

Conhecer como transita e interage o cliente com o mundo virtual e o físico, para assim poder impactar sobre sua decisão de compra em qualquer momento e situação, é um santo grau que perseguem muitos retails, não só os tradicionais, mas cada vez mais os virtuais ou híbridos.

Nesta corrida, o movimento audaz veio da Amazon. Com a aquisição dos supermercados Whole Foods, a gigante das compras online não busca somente se aventurar em um dos segmentos de produtos mais diferentes do comércio eletrônico, a alimentação. A partir de agora, Amazon também poderá rastrear os movimentos dos clientes no supermercado, abrindo assim um campo de experimentos sobre como influenciar os hábitos de compra dos clientes nas lojas físicas em tempo real. Mediante promoções, cupons e recomendações que chegam ao celular enquanto estão comprando, assim como outros sistemas como o pagamento sem caixas Amazon Go, se poderá melhorar a experiência de compra e impactar sobre a satisfação e fidelidade.

Os comércios tradicionais podem obter grandes quantidades de informação sobre as preferências e comportamentos dos clientes e enviar avisos através do wi-fi e o bluetooth. Além disso, as marcas necessitam se fazerem presentes cada vez mais nas telas de celular dos clientes para aumentarem suas taxas de conversão.

Como sugerem vários estudos, conseguir influenciar sobre o cliente na loja física continua sendo crucial, é ali onde se joga a maior batalha com a concorrência. Mas a análise de presença na loja física requer um fluxo contínuo de dados para poder identificar padrões significativos e oferecer sugestões bem sustentadas.

A indústria tem fome de dados, já que somente estes permitem a hipersegmentação do mercado e a possibilidade de oferecer experiências altamente personalizadas. Posteriormente, as análises preditivas permitirão saber o que quer o cliente até mesmo antes que ele mesmo saiba.

Dados mais personalizados e em tempo real

Muitas empresas pretendem conhecer melhor os seus clientes através da pesquisa de mercado. Pedem pesquisas de mercado mensais a rodo baseadas em questionários a uma amostragem de umas poucas milhares de pessoas. No atual momento competitivo, isso não é o suficiente. As marcas desejam ter uma conexão mais direta com seus clientes, conhecer informação personalizada sobre cada um deles, e poder influenciar de forma mais imediata em suas decisões de compra.

Com o objetivo de criar uma ponte entre clientes e estabelecimentos físicos e empresas, e revolucionar o setor de inteligência de mercado, Reynazran Royono fundou na Indonésia a startup Snapcart. Os usuários deste app fotografam seus recibos de compras em comércios tradicionais e os enviam para receber em troca uma recompensa ou reembolso, assim as marcas podem conhecer melhor o comportamento dos consumidores.

O incentivo para os compradores é receber recompensas por algo que compram, enquanto que as empresas obtêm informações sobre transações, onde e quando compram, o conteúdo da cesta, se trocam de uma marca ou outra, etc. Podem assim otimizar seus investimentos em mídias e promoções para direcionar seus esforços de vendas de maneira mais eficiente. “As marcas devem melhorar suas capacidades, tanto habilidades como ferramentas, para não investir simplesmente em mídias e esperar ver o resultado, necessitam entender qual é o impacto do seu investimento em mídias e grandes canais”. Exemplifica Reynazran Royono.

Além disso, com Snapcart as marcas têm acesso a outras ferramentas para se envolverem com os compradores e gerar mais informação através de questionários. Desta forma, as empresas obtêm conhecimento sobre compras em lojas físicas, muitas das quais ainda não entraram para o mundo digital, mas que seguem sendo as preferidas por grande parte da população.

A fronteira entre lojas físicas e as lojas online continuará se misturando, mas de qualquer forma ainda está longe de uma integração efetiva, sobre tudo em produtos de consumo. Em mercados emergentes, como os asiáticos o os latino-americanos, há grandes oportunidades para a inovação e o fornecimento de soluções complementares as lojas físicas e virtuais que desembaralhem a complexidade do big data, e que através de uma estratégia multicanal brindem um entretenimento cabal sobre os clientes ao tempo que ajudam a impulsionar as vendas.

 

Texto traduzido de: https://www.entrepreneur.com/article/297829

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